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‘Pare de orar por ele e ore por você’: quem é a pastora que viralizou ao alertar sobre violência doméstica no meio cristão?

Pastora viraliza com discurso sobre violência doméstica Um discurso feito durante um dos maiores congressos evangélicos do Brasil ganhou grande repercussão ...

‘Pare de orar por ele e ore por você’: quem é a pastora que viralizou ao alertar sobre violência doméstica no meio cristão?
‘Pare de orar por ele e ore por você’: quem é a pastora que viralizou ao alertar sobre violência doméstica no meio cristão? (Foto: Reprodução)

Pastora viraliza com discurso sobre violência doméstica Um discurso feito durante um dos maiores congressos evangélicos do Brasil ganhou grande repercussão nas redes sociais nos últimos dias ao abordar, de forma direta, temas como violência doméstica, abuso sexual e pedofilia dentro da igreja. A fala, parte da pregação da pastora Helena Raquel, critica o silêncio institucional e a omissão sobre líderes religiosos e membros de igrejas que cometem esses crimes. LEIA MAIS: 'Quem agride, mata’: pastora orienta mulheres a buscar delegacia em vez de orar por agressor em maior evento evangélico do Brasil “Pedófilo não é ungido. Pedófilo é criminoso. Não existe capacidade de se encontrar na mesma figura um pastor e um abusador. Ou é pastor, ou é abusador”, afirmou. Um dos trechos da pregação compartilhado nas redes atingiu 11 milhões de visualizações no Instagram até terça‑feira (5). No recorte, a pastora se dirige especialmente a mulheres cristãs que sofrem violência em relacionamentos abusivos: “Pare de orar por ele hoje e comece a orar por você. Você precisa ter coragem para sair, denunciar e buscar um lugar seguro. E não acredite em pedidos de desculpa, porque quem agride mata.” Ao longo da mensagem, a pastora criticou duramente o que chamou de “corporativismo religioso”, defendendo que a fé deve caminhar lado a lado com responsabilidade social e ética. Ela também mencionou crimes de pedofilia ocorridos na Igreja Católica. Nas redes socias, as falas de Helena Raquel foram compartilhadas por diversas personalidades e influenciadores que ressaltaram a importância do assunto. O g1 conversou com a líder religiosa sobre a repercussão da ministração, inclusive fora do universo evangélico (veja a entrevista completa abaixo). Quem é Helena Raquel Com mais de três décadas de ministério, Helena Raquel soma atualmente 1,6 milhão de seguidores em seu perfil no Instagram e cerca de 580 mil inscritos no Youtube. Ela é líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV) no Rio. É casada com o pastor Eleomar Dionel e mãe da Maria Clara. Também é idealizadora do projeto Pastoras do Brasil, que apoia e impulsiona a liderança feminina. Suas obras se tornaram best-sellers, alcançando milhares de leitores no Brasil e no exterior. Além de pastora, é autora de 13 livros, professora e mentora de mulheres. Algumas de suas obras incluem Libertando a Alma, a coletânea Crescendo com as Mulheres da Bíblia e Eleitas: a legitimidade e o valor do ministério feminino. Em entrevista ao g1, a pastora Helena Raquel disse que o tema da pregação feita durante o Congresso dos Gideões, em Camboriú (SC) não surgiu a partir de um caso específico, mas de um direcionamento espiritual. “Foi um direcionamento de Deus ao meu coração através da oração. Estou certa de que a proteção à criança e à mulher é um tema de grande importância cristã e precisa ser abordado, ensinado e defendido”, afirmou. A repercussão, que incluiu o compartilhamento por figuras públicas, foi recebida com surpresa. “Recebi com um altíssimo senso de responsabilidade e satisfação pelo alcance de um tema tão importante. A violência contra mulheres e crianças não é uma questão partidária ou religiosa apenas, é uma questão humanitária e urgente”, disse. Ela afirma que houve críticas, mas que foram minoritárias diante do apoio recebido. “As críticas negativas foram insignificantes diante do apoio de milhares de pessoas. É comum que alguém tente negar as verdades que expus, mas foi maravilhoso ver a enxurrada de despertamento que isso trouxe.” Ao explicar uma das frases mais compartilhadas — “ungido não é abusador” —, a pastora disse que a fala busca diferenciar autoridade espiritual de condutas criminosas. “Honrar uma autoridade constituída por Deus é bíblico e saudável. Mas criminosos não podem ocupar esse lugar. Não é necessário continuar tratando como ungido quem deliberadamente se rebelou contra Deus se tornando um criminoso”, afirmou. Helena Raquel também relatou ao g1 que já teve contato com casos de violência, incluindo um episódio que a marcou profundamente. Segundo ela, um homem se infiltrou em uma igreja, aproximou-se do ministério infantil e sequestrou uma criança, que foi assassinada. “Aquilo me chocou profundamente. Entendi que, mesmo em ambientes cheios de amor e paz, o mal pode se infiltrar. Nossos critérios precisam ser mais rígidos e o senso de proteção, redobrado”, disse. Por fim, a pastora deixou um recado direto para vítimas de abuso em ambientes religiosos. “Independentemente da religião, ninguém deve se calar diante da violência. Denuncie, busque um ambiente seguro. E não se sinta rejeitado por Deus — muito pelo contrário, mantenha-se nos braços dele.” Helena Raquel é pastora, mentora e autora de 13 livros Reprodução/TV Globo Contexto e repercussão A pregação ocorreu durante o 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, realizado em Camboriú (SC). O evento reúne milhares de cristãos presencialmente e alcança milhões por meio de transmissões on-line, sendo considerado um dos encontros missionários mais influentes do meio evangélico brasileiro. No sermão, ela utilizou o relato de Juízes 19, um dos textos mais violentos da Bíblia, para traçar paralelos com a realidade contemporânea e alertar sobre a responsabilidade coletiva diante do sofrimento humano. No YouTube, o vídeo oficial e completo da ministração — com cerca de 1h20 de duração — atingiu 1 milhão de visualizações apenas três dias após a publicação, além de mais de 6 mil comentários. Muitos deles são relatos de mulheres que afirmam ter vivido situações de violência, abuso e falta de acolhimento em ambientes religiosos. "Essa mulher foi usada por Deus nesse tempo para despertar aqueles que ainda passam por isso dentro de um local onde era para ser protegido", escreveu uma internauta. "Uma pastora corajosa que usa de sua voz para algo tão importante, poucos fazem isso", comentou outra. Pastora diz para mulheres denunciarem agressores em evento evangélico em SC Redes sociais/ Reprodução